que hoje é semente do amanhã
para não ter medo que este tempo vai passar
não se desespere não, nem pare de sonhar
nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
fé na vida, fé no homem, fé no que virá
nós podemos tudo
nós podemos mais
vamos lá, fazer o que será
Gonzaga Jr.
É com este espírito de cultivadores de um amanhã que se faz hoje a tantas mãos, ao pranto de todas as lágrimas e ao encanto de todos os sorrisos, que chegamos a esta 4ª Mostra Minas Gerais do Festival Latino Americano da Classe Obrera.
Para fazer frente às imagens e perplexidades eferentes desta que consideramos mais uma crise fantasma do modo de produção capitalista, sempre tão necessária à manutenção dos interesses dos possuidores de capitais, em oposição à crônica standard da grande imprensa pornô-video-financeira, é que nos esforçamos para trazer ao público de Belo Horizonte uma perspectiva mais duradoura e afetiva do processo histórico latino-americano, construída por nossos grandes artistas que dedicaram suas vidas e suas obras a revelar e combater as misérias impostas ao nosso povo pelas engrenagens do capitalismo mundial, como dantes, sob a regência dos grandes centros imperiais, atualmente mais sequiosos e dependentes de nossa natureza e matérias-primas, em troca das quais nos fornecem mazelas sustentáveis que, aqui e acolá, nos chegam em forma de commodites tecnológicas, receituários financeiros e, principalmente, da ideologia desenvolvimentista, acometida contra o povo pelas lideranças invertidas dos países latino-americanos pelo menos desde a década de 1950.
Tomados por esta perspectiva dedicamo-nos a reunir uma coleção de obras históricas constitutivas da memória profunda do cinema político latino-americano, que apresentamos sob o título mostra Memórias do Subdesenvolvimento, em referência honrosa ao clássico filme “Memorias Del Subdesarrollo”, realizado em 1968 pelo revolucionário cubano Tomás Gutiérrez Alea.
Em outras duas frentes de trabalho propusemo-nos a reunir nas mostras Realizadores Contemporâneos e Vídeo-Ativismo, de um lado, as novas tendências do cinema político realizado no Brasil e na América Latina, cuja orientação geral é a experimentação de linguagens destituídas de grandes pretensões estéticas, mas assumidamente comprometidas com as transformações sociais em curso no continente; e, de outro, um panorama com a insurgente produção militante e colaborativa produzida in loco por cineastas e coletivos que, a contramão das grandes agências neo-imperialistas que manipulam câmeras como armas de guerra para fissurar a resistência dos povos oprimidos, assumem a linha de frente dos conflitos com suas câmeras-escudos, a fim de resguardar aos movimentos populares o direito à sua própria imagem, denunciando as violências imputadas a homens, mulheres, crianças e idosos aos quais não restam opção se não a luta de classes.
Digno de menção é também a proposta que guia a realização do Felco em Minas Gerais, desde sua terceira edição, cujo destino manifesto é aperfeiçoar o seu caráter livre, colaborativo e horizontal e que, diferentemente do tradicional modelo corporativo de organização de mostras culturais, garante por esta singularidade a autonomia do Festival enquanto porta-voz artístico das lutas e utopias dos trabalhadores e trabalhadoras na América Latina.
Temos também inteira consciência de que ainda são muito limitados os mecanismos até então propostos para realizar esta autonomia junto aos coletivos e realizadores interessados em levar o Felco para suas comunidades, sendo esta a principal problemática que nos move a promover o Fórum Virtual de Debates, que a partir desta edição pretendemos que se torne instância permanente de busca por soluções compartilhadas para os desafios que pautam desde a origem a existência do Festival Latino Americano da Classe Obrera.
Vida Longa!
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